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Revisão parcial

Hipnóticos e sedativos

Clonidina

Agonista α2-adrenérgico central / simpaticolítico

Nome comercial cadastrado: Atensina, Catapres-TTS, Clonidin, Clonidina (cloridrato de clonidina), Duraclon

EpiduralIM
DosesMecanismoPK/PDEfeitosApresentaçõesVias e statusEvidência clínicaComparaçãoAjustesAlertasInteraçõesReferências
IV
Intratecal
Neuroeixo
Transdérmica
VO

01 · Pré-medicação / redução de necessidade anestésica

Premedicação oral — regime estudado em adulto
Baseado em artigo científico — não é faixa universal

Dose consolidada

5 mcg/kg VO, 90 min antes da indução, em ensaio específico

Goyagi et al. 1999

5 mcg/kg VO, 90 minutos antes da indução, em protocolo de estudo.

90 min antes da indução

  • O ensaio incluiu mulheres ASA I–II em contexto específico e encontrou menor dose de indução de propofol, porém despertar mais lento.
  • Não iniciar clonidina com objetivo de cardioproteção perioperatória.
  • Monitorar hipotensão, bradicardia e sedação; não extrapolar automaticamente para idosos, frágeis ou instáveis.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mcg/kg × peso = dose em mcg

02 · Pediatria / analgesia pós-operatória

Premedicação oral — evidência pediátrica
Baseado em revisão sistemática — baixa certeza

Dose consolidada

2–4 mcg/kg VO estudados; 4 mcg/kg foi a dose mais avaliada

Cochrane 2014

2 ou 4 mcg/kg VO em estudos comparativos; 4 mcg/kg em comparações com placebo e entre doses.

  • A revisão incluiu 11 estudos e 742 crianças, com heterogeneidade relevante de protocolos e desfechos.
  • Não converter a dose estudada em recomendação automática pediátrica; alguns estudos utilizaram atropina profilática.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

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dose em mcg/kg × peso = dose em mcg

03 · Anti-hipertensivo; não é dose de sedação

Crise hipertensiva — indicação da ficha técnica IV
Baseado em bula oficial

Dose consolidada

150–300 mcg IV lento em 10–15 min; máximo 750 mcg/24 h

SmPC/Clonidina

150–300 mcg IV lento em 10–15 minutos; pode repetir até máximo de 750 mcg em 24 horas.

Em 10–15 min

  • Não interpretar este regime como dose de pré-medicação, adjuvante anestésico ou analgesia neuroaxial.
Calculadora

Resultado calculado

150–300 mcg

Com os valores informados localmente

04 · Analgesia neuroaxial

Epidural — bula brasileira
Baseado em bula oficial brasileira

Dose consolidada

2–4 mcg/kg por via epidural, conforme bula brasileira

Bula Clonidin/Cristália

Dose usual descrita: 2–4 mcg/kg por via epidural.

  • A bula brasileira descreve analgesia por aproximadamente 4–6 horas. A indicação, produto e monitorização devem ser confirmados.
  • Hipotensão, bradicardia e sedação podem ocorrer; não extrapolar para produto com conservante ou formulação diferente.
Calculadora
kg

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Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mcg/kg × peso = dose em mcg

05 · Analgesia neuroaxial

Intratecal — bula brasileira
Baseado em bula oficial brasileira; status varia por país

Dose consolidada

0,5–1 mcg/kg por via intratecal, conforme bula brasileira

Bula Clonidin/Cristália

Dose usual descrita: 0,5–1 mcg/kg por via intratecal.

  • Nos Estados Unidos, a formulação Duraclon não é aprovada por via intratecal; o status regulatório é dependente da jurisdição e do produto.
  • Risco de hipotensão, bradicardia, sedação e prolongamento do bloqueio; verificar formulação sem conservante e governança local.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

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dose em mcg/kg × peso = dose em mcg

06 · Dor oncológica grave; não é regime perioperatório geral

Infusão epidural contínua — indicação Duraclon
Baseado em bula oficial dos EUA

Dose consolidada

Iniciar 30 mcg/h por via epidural contínua; experiência >40 mcg/h é limitada

DailyMed/Duraclon

Dose inicial recomendada: 30 mcg/h em infusão epidural contínua; experiência acima de 40 mcg/h é limitada.

  • Indicação aprovada: associada a opioides para dor oncológica grave inadequadamente controlada por opioides isolados.
  • A bula não recomenda uso em dor obstétrica, pós-parto ou perioperatória devido ao risco de instabilidade hemodinâmica.

07 · Adjuvante a anestésico local em bloqueio periférico

Perineural — doses estudadas, uso off-label
Baseado em revisão sistemática — off-label

Dose consolidada

30–300 mcg foram estudados; 150 mcg foi a dose mais frequente

Pöpping et al. 2009

Estudos incluíram 30–300 mcg; 150 mcg foi a dose mais usada.

  • A revisão não estabeleceu relação dose–resposta nem dose universal.
  • Mais hipotensão, bradicardia, sedação e desmaio; não adicionar automaticamente a receitas de bloqueio.

08 · Anti-hipertensivo transdérmico

Sistema transdérmico — tratamento crônico
Baseado em bula oficial

Dose consolidada

0,1, 0,2 ou 0,3 mg/dia, liberados por 7 dias

DailyMed/Catapres-TTS

Sistemas programados para liberar 0,1, 0,2 ou 0,3 mg/dia por 7 dias.

Troca semanal

  • Níveis terapêuticos são atingidos em aproximadamente 2–3 dias; não iniciar no dia da cirurgia esperando efeito imediato.
  • Não interromper abruptamente; remover antes de RM e avaliar risco de arco elétrico antes de cardioversão/desfibrilação.

Mecanismo em movimento

Do alvo ao efeito de Clonidina.

A sequência visual organiza o mecanismo já revisado no banco. O conteúdo farmacológico completo permanece logo abaixo.

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Locus coeruleusα2↓ NoradrenalinaSedaçãoLocus coeruleusα2↓ NoradrenalinaSedação
01

receptor

α2-adrenérgico

↓ noradrenalina, ↓ atividade simpática e modulação nociceptiva

02

Transdução

O sinal muda

Gi/o → ↓ AMPc

03

Efeito clínico

Simpaticólise e redução da pressão/frequência cardíaca

Agonista α2-adrenérgico central e simpaticolítico que reduz descarga noradrenérgica, produzindo sedação, redução da resposta simpática e analgesia adjuvante.

04

Mesmo mecanismo, outro contexto

Benefício e risco coexistem

Hipotensão e bradicardia

Revisado e publicadoMiller + Barash

Mecanismo de ação

Agonista α2-adrenérgico central e simpaticolítico que reduz descarga noradrenérgica, produzindo sedação, redução da resposta simpática e analgesia adjuvante.

DosesAlertasComparar mecanismos
AlvoReceptor α2
Transdução↓ Noradrenalina
ResultadoSimpaticólise
Diagrama esquemático original; não representa escala anatômica ou molecular.
Alvo e mecanismo primário

Agonismo α2 pré e pós-sináptico reduz liberação de noradrenalina e atividade simpática central. No corno dorsal, modula a transmissão nociceptiva por mecanismos α2 espinais.

receptor

α2-adrenérgico · agonista central e espinal

↓ noradrenalina, ↓ atividade simpática e modulação nociceptiva. Simpaticólise e redução da pressão/frequência cardíaca

Vias e sítios de ação
Alertas de segurança ligados ao mecanismo
  • Suspensão abrupta pode produzir hipertensão rebote potencialmente grave.
  • Hipotensão, bradicardia e distúrbios de condução podem exigir intervenção.
  • Uso perineural é off-label e não deve ser adicionado automaticamente a receitas de bloqueio.

Referências do mecanismo

3 referênciasDailyMedDailyMedUKCPA
Efeitos clínicos por sistema

Cardiovascular

Bula oficial

Reduz resistência vascular periférica, frequência cardíaca e pressão arterial. A administração crônica reduz débito cardíaco, com tendência de retorno em uso continuado; bradicardia, hipotensão, síncope e distúrbios de condução exigem atenção, sobretudo com hipovolemia ou fármacos cronotrópicos negativos.

Clinical Pharmacology; Warnings; Adverse Reactions

Respiratório

Bula oficial

Não deve ser descrita como isenta de depressão respiratória. Sedação, obstrução de via aérea e hipoventilação continuam possíveis, principalmente em associação com opioides, benzodiazepínicos e anestésicos; monitorizar ventilação conforme profundidade da sedação e vulnerabilidade do paciente.

Interactions with common anaesthetic agents; CNS depression

Neurológico / SNC

Bula oficial

Produz sedação, sonolência, tontura, fadiga e analgesia adjuvante por redução da atividade noradrenérgica central e modulação espinal. Não substitui hipnose, analgesia principal ou monitorização clínica quando usada como adjuvante.

Clinical Pharmacology; Adverse Reactions; Duraclon, Mechanism of Action

Renal / hepático

Bula oficial

A depuração renal é importante e a meia-vida pode chegar a aproximadamente 41 horas na insuficiência renal grave. A hemodiálise remove quantidade mínima; a bula recomenda dose inicial menor/ajuste pelo grau de disfunção e monitorização, sem algoritmo percentual universal.

Pharmacokinetics; Renal Impairment

Farmacocinética e farmacodinâmica

Início de ação

Bula oficial

Após administração oral, a pressão arterial começa a cair em 30–60 minutos.

Clinical Pharmacology

Pico

Bula oficial

Após a via oral, o pico plasmático ocorre em aproximadamente 1–3 horas; a redução máxima da pressão arterial costuma ocorrer em 2–4 horas.

Pharmacokinetics; Clinical Pharmacology

Duração

Bula oficial

A bula brasileira injetável descreve analgesia neuroaxial por aproximadamente 4–6 horas. A duração não deve ser extrapolada entre vias ou produtos.

Bula profissional; características farmacológicas

Ajustes e populações especiais

Idoso

Bula oficial

Maior vulnerabilidade a hipotensão, bradicardia, sedação e síncope justifica titulação cautelosa e monitorização, mas não foi localizado percentual automático de redução nas fontes consultadas.

Warnings; Geriatric use

Obesidade

Pendente de revisão

Não há descritor de peso automático validado cadastrado para uso perioperatório sistêmico. Evitar extrapolar regimes em mcg/kg além das populações estudadas.

Insuficiência renal

Bula oficial

Iniciar/ajustar com cautela conforme o grau de disfunção renal e monitorizar pressão e frequência cardíaca. A eliminação pode prolongar-se até cerca de 41 horas na disfunção grave; a diálise remove pouca droga e não exige dose suplementar na bula consultada.

Interações importantes

Anestésicos gerais, opioides, benzodiazepínicos e álcool

Alerta

Sedação, hipotensão e comprometimento ventilatório podem somar-se, conforme agentes, doses e paciente.

Relevância: Sedação excessiva, obstrução de via aérea, hipoventilação, hipotensão e bradicardia.

Conduta: Titular, reduzir depressores sobrepostos quando clinicamente indicado e monitorizar sedação, ventilação, PA e FC.

Propofol, neostigmina, succinilcolina e opioides potentes

Alerta

O UKCPA descreve maior risco de bradicardia com clonidina e esses agentes.

Relevância: Bradicardia clinicamente significativa.

Conduta: Monitorizar frequência, ritmo e planejar resposta apropriada.

Relações clínicas

Monitorização relacionada

  • Pressão arterial
  • Eletrocardiografia
  • Capnografia
  • SpO₂

Técnicas relacionadas

  • Anestesia regional
  • TIVA manual

Anestesias complexas relacionadas

  • Idoso e fragilidade
  • OSA

Referências e rastreabilidade

18 referênciasMillerBarashAHA/ACC perioperatório…+15
Apresentações confirmadas por fonte

País, produto e formulação determinam as vias permitidas. Não intercambiar produtos ou concentrações.

Atensina®

Brasil

Comprimido · 100 mcg

Apresentação oral; confirmar embalagem vigente na dispensação

Apresentação listada em documento regulatório da Anvisa consultado em 2025

Atensina®

Brasil

Comprimido · 150 mcg

Apresentação oral; confirmar embalagem vigente na dispensação

Apresentação listada em documento regulatório da Anvisa consultado em 2025

Catapres-TTS®

Estados Unidos

Sistema transdérmico · 0,1, 0,2 ou 0,3 mg/dia por 7 dias

Um sistema para aplicação semanal

Apresentação e concentrações da bula DailyMed dos EUA

Clonidin®

Brasil

Solução injetável · 150 mcg/mL

Ampola de 1 mL; caixas com 25 ou embalagens hospitalares descritas pelo fabricante

Uso adulto; vias IV, IM, epidural e intratecal conforme bula brasileira

Duraclon®

Estados Unidos

Solução epidural sem conservantes · 100 mcg/mL

Frasco de 10 mL

Aprovado para infusão epidural contínua associada a opioides em dor oncológica grave; não é formulação perioperatória geral

Vias, usos e status regulatório
ViaContextoStatusFonte
VOTratamento anti-hipertensivo crônico; pré-medicação estudadaAprovado para indicações orais; uso anestésico depende do contextoDailyMed / Anvisa
TransdérmicaTratamento anti-hipertensivo crônicoAprovado nos EUA; início lento, sem equivalência direta com VODailyMed Catapres-TTS
IV / IMIndicações da formulação parenteral brasileira/europeiaConfirmar produto e bula da jurisdiçãoClonidin/Cristália · SmPC
EpiduralAnalgesia neuroaxial em indicações e produtos específicosAprovado em cenários específicos; não é regime perioperatório universalClonidin/Cristália · Duraclon
Evidência clínica, uso crônico e segurança

Resumo clínico

Bula oficial

Agonista α2 central e simpaticolítico usado cronicamente como anti-hipertensivo e estudado como adjuvante sedativo/analgésico perioperatório.

  • •Principais efeitos: simpatólise, sedação, ansiólise e analgesia adjuvante.
  • •Principais riscos: hipotensão, bradicardia, sedação e hipertensão rebote após retirada abrupta.
  • •Início, duração e indicação regulatória são específicos da formulação e da via.

Não confundir formulações

Bula oficial

Comprimido oral, sistema transdérmico, solução injetável brasileira e solução epidural sem conservantes não são produtos intercambiáveis.

Comparação clínica

Clonidina × Dexmedetomidina

Mecanismo e vias
Ambas são agonistas α2; a dexmedetomidina é mais seletiva para α2 e possui formulação para infusão IV titulável em muitos cenários perioperatórios.
Perfil clínico
Ambas podem causar bradicardia e hipotensão; a magnitude depende de dose, velocidade de administração e fisiologia basal.
Diferença prática
A clonidina tem meia-vida de eliminação mais longa e formulações oral/transdérmica; a dexmedetomidina permite titulação IV mais rápida. Isso não representa ranking universal de superioridade.
Evidência
Farmacologia sustentada por Miller/Barash; comparação perineural com certeza baixa/muito baixa em metanálise em rede de 2021.

Clonidina × Midazolam

Mecanismo e vias
A clonidina produz simpatólise e analgesia adjuvante via receptores α2; o midazolam produz ansiólise, amnésia e sedação via GABA-A.
Alertas de segurança
  • Suspensão abrupta pode causar síndrome de retirada e hipertensão rebote potencialmente grave.
  • Pode causar hipotensão, bradicardia, síncope e distúrbios de condução.
  • Sedação e depressão do SNC aumentam com opioides, benzodiazepínicos, anestésicos e álcool.
  • Hipovolemia, fragilidade, idade avançada, OSA e disfunção renal exigem titulação e monitorização individualizadas.
  • Confirmar formulação, concentração, conservantes, via autorizada e status regulatório; produtos oral, transdérmico, parenteral e epidural não são equivalentes.
  • Não iniciar clonidina apenas para reduzir risco cardiovascular perioperatório.

Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

  • Tronco encefálico e locus coeruleus
  • Corno dorsal da medula
  • Terminações simpáticas pré-sinápticas
  • Gi/o → ↓ AMPc
  • ↓ entrada de Ca²⁺ pré-sináptica
  • ↑ condutância de K⁺ pós-sináptica
  • ↓ liberação de noradrenalina
Início, duração e metabolismo

Início: O início varia por formulação: 30–60 minutos para início do efeito pressor oral e 2–3 dias para níveis terapêuticos do adesivo.

Duração: A duração depende da via; o adesivo libera por 7 dias e a analgesia neuroaxial descrita na bula brasileira dura aproximadamente 4–6 horas.

Metabolismo: A depuração renal é relevante; 40–60% da dose absorvida é recuperada inalterada na urina e a meia-vida pode chegar a cerca de 41 horas na insuficiência renal grave.

Efeitos clínicos
  • Simpaticólise e redução da pressão/frequência cardíaca
  • Sedação e ansiólise
  • Analgesia adjuvante espinal e sistêmica
  • Redução de necessidade anestésica em contextos estudados
Efeitos adversos e racional
  • Hipotensão e bradicardia
  • Sedação, tontura e fadiga
  • Boca seca e constipação
  • Hipertensão rebote na retirada abrupta
  • Hipersensibilidade é contraindicação formal nas bulas consultadas.
  • Bradicardia, distúrbios de condução, hipovolemia, hipotensão e insuficiência renal exigem cautela e monitorização, não são automaticamente equivalentes a contraindicação absoluta em toda formulação.
Interações mecanísticas
Fármacos associados: Somação de sedação e hipotensão com opioides, benzodiazepínicos e anestésicos. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Fármacos associados: Betabloqueadores e outros cronotrópicos negativos podem acentuar bradicardia/condução; retirada abrupta durante betabloqueio aumenta preocupação com rebote. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Fármacos associados: Propofol, neostigmina, succinilcolina e opioides potentes podem aumentar risco de bradicardia perioperatória. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Populações e variabilidade
  • Gestação, extremos de idade e fragilidade alteram farmacocinética e sensibilidade farmacodinâmica; individualizar e monitorizar.
  • Exposição repetida, regulação de receptores e alterações farmacocinéticas podem modificar a resposta; titular pelo efeito clínico.
Pérolas e limitações
  • Manter tratamento crônico no perioperatório quando possível; não suspender abruptamente.
  • Não iniciar apenas para cardioproteção: POISE-2 não mostrou benefício e encontrou mais hipotensão e parada cardíaca não fatal.
  • Confirmar produto, concentração, conservantes, via e status regulatório antes de uso neuroaxial.
  • A relação entre mecanismo molecular e resposta clínica não é totalmente linear.
  • Associações anestésicas e comorbidades podem predominar sobre o efeito isolado.

Meia-vida

Bula oficial

Meia-vida de eliminação de aproximadamente 12–16 horas após administração oral; pode aumentar até cerca de 41 horas na insuficiência renal grave.

Pharmacokinetics

Ligação proteica

Bula oficial

Ligação a proteínas plasmáticas de aproximadamente 20–40%.

Pharmacokinetics

Volume de distribuição

Bula oficial

Volume aparente de distribuição descrito para a formulação epidural: 2,1 ± 0,4 L/kg.

Pharmacokinetics

Metabolismo

Bula oficial

Aproximadamente metade da dose absorvida é metabolizada no fígado, conforme a bula oral consultada.

Pharmacokinetics

Eliminação

Bula oficial

Cerca de 40–60% da dose absorvida é recuperada inalterada na urina em 24 horas; após dose intravenosa, aproximadamente 72% foi excretado na urina em 96 horas, com 40–50% como fármaco inalterado.

Pharmacokinetics

Pharmacokinetics; Renal Impairment

Insuficiência hepática

Pendente de revisão

Não foi localizado esquema quantitativo de ajuste nas bulas consultadas. Como parte da dose é metabolizada no fígado, individualizar e monitorizar sem correção automática.

Gestação

Bula oficial

A clonidina atravessa a placenta. A evidência neuroaxial em obstetrícia é específica de contexto e dose; a bula epidural dos EUA não recomenda uso em dor obstétrica, pós-parto ou perioperatória pelo risco de instabilidade hemodinâmica. Não generalizar resultados de estudos pequenos.

Pregnancy; Warnings—Epidural Use

Betabloqueadores e outros cronotrópicos negativos

Crítico

A combinação pode acentuar bradicardia e distúrbios de condução; a retirada abrupta da clonidina durante betabloqueio pode aumentar o risco de hipertensão rebote.

Relevância: Bradicardia, bloqueio AV e hipertensão rebote grave.

Conduta: Revisar uso crônico, FC e ECG; não suspender abruptamente. A sequência de uma retirada planejada deve seguir bula ou protocolo validado.

Digoxina, verapamil, diltiazem e outros agentes que afetam nó sinusal/condução AV

Crítico

A bula descreve bradicardia sinusal com hospitalização e marca-passo em associação a clonidina e diltiazem ou verapamil, e recomenda monitorizar fármacos que alteram a função sinusal ou a condução AV.

Relevância: Bradicardia sintomática e distúrbio de condução.

Conduta: Revisar FC, ECG, condução basal e a combinação de medicamentos; monitorizar conforme o risco clínico.

Antidepressivos tricíclicos

Atenção

A bula oral relata que tricíclicos podem reduzir o efeito hipotensor da clonidina.

Relevância: Perda de controle pressórico ou resposta variável.

Conduta: Revisar a medicação crônica e monitorizar a pressão arterial.

Paciente cardiopata
IntratecalAdjuvante neuroaxialDescrito na bula brasileira; status varia por país e produtoClonidin/Cristália · revisão sistemática
PerineuralAdjuvante a anestésico local em bloqueios periféricosOff-label; não adicionar automaticamente a receitasRevisões sistemáticas 2009/2021
  • •Confirmar concentração, excipientes/conservantes, via autorizada e bula da jurisdição.
  • •Não extrapolar produto ou dose epidural para uso IV, intratecal ou perineural.
  • •O uso perineural permanece off-label nos estudos revisados.
  • Suspensão abrupta / síndrome de retirada

    Bula oficial

    A interrupção abrupta pode desencadear hiperatividade simpática e elevação rápida da pressão arterial.

    • •Os sintomas descritos incluem nervosismo, agitação, cefaleia, tremor, taquicardia e hipertensão rebote.
    • •O risco é maior com doses crônicas mais altas e uso concomitante de betabloqueador.
    • •Desfechos graves raros incluem encefalopatia hipertensiva, eventos cerebrovasculares e morte.
    • •A bula oral recomenda redução gradual por 2–4 dias quando a retirada é necessária; no perioperatório, o tratamento crônico geralmente é mantido.

    Manejo perioperatório do uso crônico

    Guideline externo

    A clonidina crônica deve, em geral, ser mantida com monitorização de PA e FC; a retirada abrupta deve ser evitada.

    • •O sistema transdérmico não deve ser interrompido durante a cirurgia, mas iniciá-lo no dia do procedimento não produz nível terapêutico imediato.
    • •Se a via oral estiver indisponível, planejar alternativa com a equipe responsável; não improvisar equivalência entre formulações.
    • •Retomar a via oral quando a ingestão enteral for segura, monitorizando pressão e frequência cardíaca.

    Clonidina e proteção cardiovascular perioperatória

    Guideline externo

    Iniciar clonidina apenas para reduzir risco cardiovascular em cirurgia não cardíaca não demonstrou benefício e não é recomendado pelo guideline AHA/ACC 2024.

    • •O POISE-2 randomizou 10.010 pacientes para clonidina 0,2 mg/dia ou placebo, iniciados logo antes da cirurgia e mantidos por 72 horas.
    • •A clonidina não reduziu morte ou infarto do miocárdio não fatal.
    • •Houve mais hipotensão clinicamente importante (47,6% vs. 37,1%) e parada cardíaca não fatal (0,3% vs. 0,1%).
    • •Esse cenário é diferente da manutenção de clonidina já usada cronicamente.

    Clonidina em anestesia neuroaxial

    Revisão sistemática

    Os usos intratecal e epidural devem ser interpretados conforme formulação, indicação, país e população.

    • •A bula brasileira do Clonidin® descreve vias epidural e intratecal; a bula americana do Duraclon® aprova apenas infusão epidural contínua com opioides para dor oncológica grave.
    • •A bula epidural americana não recomenda uso em dor obstétrica, pós-parto ou perioperatória pelo risco de instabilidade hemodinâmica.
    • •Revisão sistemática do uso intratecal adjuvante encontrou prolongamento de bloqueio sensitivo/motor e analgesia, mas mais hipotensão; a dose ótima não foi definida.

    Adjuvante perineural — uso off-label

    Revisão sistemática

    A clonidina perineural foi estudada como adjuvante a anestésicos locais, mas permanece off-label e não é adicionada automaticamente a receitas de bloqueio.

    • •A revisão sistemática de 2009 avaliou doses de 30–300 mcg, mais frequentemente 150 mcg, e encontrou prolongamento modesto da analgesia e dos bloqueios.
    • •Hipotensão, bradicardia, desmaio e sedação aumentaram na análise agrupada.
    • •Metanálise em rede de 2021 encontrou maior duração de analgesia, porém com certeza baixa/muito baixa e mais hipotensão.
    • •A evidência não sustenta apresentar uma dose perineural universal.

    Pré-medicação e necessidade anestésica

    Revisão sistemática

    A clonidina oral foi estudada como pré-medicação e pode reduzir necessidade anestésica, mas pode atrasar o despertar e causar efeitos hemodinâmicos.

    • •Um ensaio em adultos usou 5 mcg/kg VO 90 minutos antes da indução e observou menor dose de propofol com despertar mais lento.
    • •A evidência pediátrica inclui 2–4 mcg/kg VO, com baixa certeza e protocolos heterogêneos.
    • •Não interpretar regimes de estudo como prescrição automática ou estratégia de cardioproteção.

    Ventilação, sedação profunda e OSA

    Guideline externo

    A preservação respiratória relativa não elimina o risco de obstrução de via aérea ou hipoventilação.

    • •O risco aumenta com opioides, benzodiazepínicos, anestésicos e sedação mais profunda.
    • •Em sedação procedural, usar oximetria e considerar capnografia conforme profundidade, contexto e vulnerabilidade.
    • •OSA e fragilidade exigem titulação clínica, não cálculo automático de dose.

    Efeitos adversos e cautelas

    Bula oficial

    O perfil adverso reflete simpatólise central, sedação e efeitos específicos da formulação.

    • •Cardiovasculares: hipotensão, bradicardia, síncope e possíveis distúrbios de condução.
    • •SNC: sonolência, tontura, fadiga e sedação.
    • •Autonômicos/GI: boca seca e constipação são descritas na terapia oral.
    • •Transdérmico: reações cutâneas locais; remover antes de RM e avaliar antes de cardioversão/desfibrilação pelo componente condutor.
    • •Distinguir contraindicações formais por hipersensibilidade de situações que exigem monitorização e individualização.
    Perfil clínico
    A clonidina se associa especialmente a bradicardia/hipotensão; o midazolam se associa mais à depressão ventilatória dependente de dose e combinações.
    Diferença prática
    A evidência de pré-medicação é principalmente pediátrica e heterogênea; a escolha depende dos efeitos desejados, via, início e riscos do paciente.
    Evidência
    Revisão Cochrane pediátrica e ensaios comparativos; sem afirmação de superioridade universal.

    Referência e ferramentas para anestesiologia.

    Plataforma de anestesiologia para consulta clínica, estudo, referência e ferramentas perioperatórias.

    Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

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    Conteúdo clínico em revisão contínua, apoiado por Miller, Barash, guidelines e fontes regulatórias quando aplicável.

    Versão 0.1.0 · revisão contínua

    © 2026 AnesBase

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